Isofix VS Cintos

Os cintos de segurança automóvel apareceram algures no século passado e, foram desenhados para adultos, para os reter em caso de acidente. Mais ou menos por volta de 1960, apareceram os primeiros Sistemas de Retenção infantil, presos pelos cintos.

Em 1997, apareceu o Isofix, fruto da colaboração da Britax Römer com a VW. Foi um desenvolvimento tão grande, que actualmente é um sistema obrigatório nos automóveis.

Para percebermos as diferenças, vamos analisar o que acontece num impacto Frontal a 60km/h, contra uma barreira, o acidente mais comum na Europa.
Este tipo de impacto dura em média 90 milisegundos – metade do tempo de pestanejar.
A estes 90 milisegundos, dá-mos o nome de desaceleração e, mede-se em “G”, sendo 1G a aceleração que experiência 1 corpo em queda livre.

Uma travagem de emergência a 60km/h, não passa de 2G e não demora menos de 3 segundos a parar o automóvel. Se reduzirmos a velocidade a 90 milisegundos, falamos de desacelerações de 30G.

Um corpo em desaceleração experimenta a inércia, que o empurra com força, resultado de multiplicar o peso pelo valor da desaceleração.
Um cinto de segurança retém um corpo de 15kg, que numa travagem brusca, exerce uma força entre os 15kg e os 30kg Num impacto a 60km/h, seria um peso de 450kg.

Cada parte do corpo experimenta a inércia de acordo com a sua massa corporal.
Olhando à cabeça, isto provoca um aumento de pressão na zona frontal da massa encefálica, que é empurrada contra o crânio com uma força 30x maior que o seu peso.

Fisicamente, não podemos desacelerar mais rápido que o automóvel, teríamos de começar a travar antes do impacto. É aqui que o isofix tem um papel importante.
O cinto apresenta um comprtamento elástico quando se submete a esforços, podendo sofrer um alongamento de 15cm. Isto diz que o Sistema de Retenção Infantil e o ocupante, durante alguns segundos, em caso de impacto, andarão “livres”.
O isofix começa a desaceleração ao mesmo segundo que o automóvel, mantendo a velocidade de desaceleração o mais junto possível com o mesmo.

Fonte: Matias Masso – Britax Römer

T0 – O automóvel sofre um impacto frontal a 60km/h e desacelera até aos 0km/h
T1 – Com sistema isofix, o SRI começa a desaceleração praticamente ao mesmo tempo, mantendo o mesmo intervalo de tempo, praticamente igual ao automóvel.
T2 – O SRI não começa a desaceleração até chegar ao T2, pois sofre do alongamento do cinto de segurança. Vai atrasado em relação ao automóvel. Dispõe assim de menos tempo para desacelerar, tornando-a mais violenta.

O Isofix apresenta ainda outras vantagens como

  • Maior estabilidade em choque lateral
  • Facilidade de instalação
  • Compatibilidade automóvel

Estudos mostram também que apenas 30% dos Sistemas de Retenção Infantil presos com cinto automóvel, estão bem instalados, contra os 95% dos instalados com sistema Isofix.

Isofix

O Isofix é um sistema de encaixe sujeito a uma norma, a ISO. Isto significa que deve cumprir requisitos, como outra norma qualquer.

  • Não se pode instalar com cinto de segurança. O sistema isofix foi uma solução que se arranjou para evitar os erros de instalação das cadeiras com cinto de segurança, precisamente por isso, não se podem usar.
  • Contará sempre com os encaixes inferiores e um sistema anti-rotação. Poderá ser o Top Tether ou o Pé de apoio.
  • O sistema isofix é válido para cadeiras auto que tenham sido homologadas até aos 18kg. É o máximo que este sistema suporta.

Quais os grupos com esta homologação?

Sistemas de retenção infantil do grupo 0+ e grupo 1, que apresentem ganchos isofix e um sistema anti rotação:

Grupo 0+
GRUPO 1

São Sistemas de Retenção Infantil I-size porque todas usam o sistema inferior de encaixe e um sistema anti rotação; todas estão homologadas a um limite de peso e nenhuma precisa do cinto de segurança automóvel.

Que grupos não estão homologados com a norma ISO?

As cadeiras de grupo 1 e de grupo 1/2/3, embora usem sistema isofix para a sua instalação, precisam de um cinto de segurança ou não contam com o sistema anti rotação.

As cadeiras do grupo 2/3, embora usem sistema isofix para se prenderem, não fazem parte porque todas estão homologadas para peso superior a 18kg; usam todas o cinto de segurança e nenhuma apresenta dispositivo anti rotação.

Em suma

O Isofix é um encaixe sujeito a uma norma ISO desenhado para instalar as cadeiras auto sem necessidade de usar cinto de segurança. Para isto ser possível, tanto a cadeira como o carro, têm de estar preparados com o sistema.

O sistema anti rotação é um sistema para evitar o balanço excessivo da cadeira auto e evitar que toda a carga recaía sobre os encaixes inferiores. Pode ser o Top Tether ou o Pé de apoio.

Não podemos instalar nenhuma cadeira apenas com os encaixes inferiores. A norma estabelece que o sistema isofix é composto pelos encaizes inferiores e um 3º ponto de fixação.

O sistema isofix é válido até aos 18kg, ou seja, apenas nos grupos 0+, 0+/1 e 1. Nos grupos 1/2/3 e 2/3, usa-se uma combinação com os cintos de segurança.

As cadeiras auto do grupo 2/3 com ganchos inferiores, não são cadeiras isofix, pois o sistema é diferente. Recebem nomes parecidos, mas o resultado é diferente.

Tether Straps – correias

O isofix, como referido em cima, tem um limite de peso de 33kg, e por isso, todas as cadeiras que usem arnês até aos 25kg, em contra marcha, além do cinto de segurança do automóvel, usam correias e pé de apoio para prender a cadeira nos rails dos bancos da frente, e em alguns casos, prende mesmo no banco.

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